6 de dezembro de 2012

Coração Azulejo Português (II) - Estátua de Fernando Pessoa

Dia 1 de dezembro

No Largo do Camões já tinham ficado 2 PingAmor meus e mais alguns dos outros Saltimbancos, por isso a nossa próxima etapa era a estátua de Fernando Pessoa, sentado confortavelmente a apanhar banhos de sol, na esplanada do café A Brasileira.
Todos nos dirigimos para lá mas depressa estacámos junto a uma figura de mulher, trajada com roupas fora de moda e estranhas, descalça e empunhando uma grande bandeira portuguesa, que gritava: "Eu sou linda! Eu sou linda!". Aproximámo-nos, curiosos, e o nosso olhar logo se fixou num coração que ela trazia ao peito. "- Curioso! Será um PingAmor?" - comentei.
No chão, junto aos seus pés, estava um pano com algumas moedas e um molhe de cenouras com a respetiva rama. Uma das Saltimbancos,  a Patrícia, retirou um dos seus bonitos PingAmor de origami e depositou no pano junto às moedas. Todos nós estavamos curiosos e encantados com aquela figura que  parecia saída de um livro de História de Portugal, tal a figura feminina da República.

Avançámos para o Fernando Pessoa que nos esperava pacientemente. Retirei o meu Coração Azulejo Português (II) da mala e coloquei-lho entre os dedos da mão direita. Outros Saltimbancos repetiram o meu gesto e,  tal como havia acontecido com a estátua do Luís de Camões, também o célebre poeta dos 1001 heterónimos, ficou pintado com as cores dos vários PingAmor.
Por ali ficámos, à espera da reação das pessoas que se juntavam ao poeta para fotografar e serem fotografadas. Todos estavam intrigados com tantos corações em torno do Pessoa mas ninguém tinha a ousadia de mexer, talvez por desconhecerem que eram mesmo para ser mexidos, levados, lidos e guardados.
De repente, um jovem foi sentar-se na cadeira (de bronze) junto à estátua, mas passou rápido com a mão pelo Coração Azulejo Português (II), antes de se sentar, com o intuíto de o retirar sem ser visto (como se isso fosse possível, com tantos olhos postos nele!), mas não o conseguiu agarrar deixando-o cair no chão e lá o deixou ficar. Enchi-me de coragem, fui apanhá-lo e entreguei-o em mãos. O jovem, elegantemente vestido, estava junto à namorada (julgo eu) e ficou muito admirado quando eu lhe entreguei o PingaAmor, negando-o com ar despeitado. Sorri-lhe, com simpatia e disse que ficasse com ele, que se tratava de um projeto.

Não sei se o jovem casal de namorados (julgo eu) veio ao blogue pois só hoje, dia 6, consegui fazer a publicação.

  


O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.




Esta é a figura feminina que encontrámos e que, mais tarde esteve à conversa connosco explicando que estava a figurar a Cidadania e os seus motivos para tal.

(Poderão ler mais pormenores no post de Pedro Menezes referente ao 2º almoço dos Pingamor)

10 comentários:

  1. Respostas
    1. O tecido é mesmo uma cópia de azulejo português do séc. XVII. Fazia parte de um pequeno individual que eu sempre me lembro de ter visto em casa de minha mãe e não sei bem como encontrei-o há dias numa das minhas gavetas.
      Soube mais tarde, por uma das saltimbancos, Maria Aurélia Félix, que estes individuais eram os que usavam na 1ª classe dos aviões da TAP e ela mesmo os utilizava porque tinha trabalhado com eles durante mtos anos até se reformar :-D
      Como vieram parar à mão da minha mãe não sei e muito menos como vieram parar à minha :-D E esta, hein?! (como diria o saudoso Fernando Peça)

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    2. Bem aproveitado então :0) reutilizar!
      É realmente muito bonito Isabel.
      Beijinhos
      <3

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  2. Adoro o padrão...um dia hei-de fazer um desses em origami!

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    1. Ai, ai, ai, estou confusa com este pseudónimo :-D Confirma só: és uma das saltimbancos que foi ao almoço, é isso? E estavas à minha frente?

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    2. Eu fui discreta, o nosso amigo Pedro é que foi linguarudo. Ah! Ah! Ah!
      Beijocas linda!

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  3. Obrigada. Este já é o 2º deste padrão; o 1º larguei-o cá em Portimão junto a um painel de azulejos :-D

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